Blog ·

Calculadora de royalties: Spotify vs Apple Music

September 15, 2026
Calculadora de royalties: Spotify vs Apple Music

Quando os artistas disponibilizam o seu trabalho em plataformas de streaming, recebem royalties pelas reproduções e pelos downloads. Algumas plataformas pagam consideravelmente mais do que outras, e a forma como esses valores são calculados é menos transparente do que a maioria dos artistas espera.

Se quiser uma estimativa rápida de quanto poderá ganhar, temos uma Calculadora de royalties do Spotify que também inclui os valores pagos pelo Deezer, Napster, TIDAL, YouTube Music e outras plataformas.

Para conhecer em maior detalhe os pagamentos do Apple Music, incluindo como funciona a repartição, quem precisa de emitir fatura e qual o método de pagamento utilizado, consulte Royalties do Apple Music.

Procura preços de subscrições em vez de pagamentos a artistas? Essa é outra questão, que abordamos em Spotify vs Apple Music.

Quais são os diferentes tipos de royalties musicais?

Se está a começar na indústria, convém saber que existem diferentes royalties pagos a artistas, compositores, editoras musicais e editoras discográficas, cada um com regras próprias.

Royalties de sincronização

Um acordo de sincronização permite associar a sua música a conteúdos visuais: filmes, televisão, jogos, anúncios e outros formatos semelhantes. Para muitos artistas, conseguir uma sincronização é a oportunidade mais valiosa que uma faixa pode gerar.

Royalties mecânicos

Os royalties mecânicos remuneram as reproduções de uma composição. Isto inclui cópias físicas, como vinil, CD e cassetes, downloads permanentes e a componente mecânica do streaming.

Nota: se tem contrato com uma editora discográfica, é esta que lhe paga estes royalties. Os artistas independentes recebem-nos através do seu serviço de distribuição ou de gestão editorial.

Royalties de partituras

Os royalties de partituras são mais comuns entre compositores de música para cinema e de música clássica do que entre artistas que gravam música. São pagos quando a música é transcrita para uma partitura impressa, geralmente distribuída por uma editora de partituras, e calculados com base no número de cópias produzidas.

Royalties de execução pública

Os royalties de execução pública aplicam-se quando uma música é interpretada, transmitida em streaming ou reproduzida em público. Restaurantes, cafés, lojas, rádio, discotecas, rádios online e serviços de streaming estão todos abrangidos.

Estes dividem-se em royalties de edição musical e royalties de autores e compositores, cobrados por organizações como a PRS for Music no Reino Unido e a ASCAP, BMI, SESAC e GMR nos EUA.

calculadora de royalties do Spotify vs Apple Music

Como são calculados os royalties dos artistas?

Os seus rendimentos dependem de quantas pessoas ouvem em streaming ou compram o que criou. Maior popularidade significa mais dinheiro, embora a relação não seja exatamente proporcional.

A taxa legal de royalties mecânicos

Nos EUA, o governo fixa a taxa aplicável às cópias físicas e aos downloads permanentes. Desde 1 de janeiro de 2026, a taxa legal de royalties mecânicos é de 13,1 cêntimos de dólar por obra ou 2,52 cêntimos de dólar por minuto de duração, consoante o valor mais elevado. Em 2025, era de 12,7 cêntimos de dólar.

Este detalhe é relevante se leu guias mais antigos. A taxa ficou congelada nos 9,1 cêntimos de dólar de 2006 a 2022, e a inflação corroeu cerca de 40% do seu valor nesse período. A decisão Phonorecords IV, que abrange o período de 2023 a 2027, pôs finalmente fim a esse congelamento e introduziu atualizações anuais do custo de vida associadas ao Índice de Preços no Consumidor. Qualquer valor na ordem dos 9 cêntimos de dólar está agora muito desatualizado.

Num álbum normal de dez faixas vendido em CD ou por download, isto corresponde a 1,31 dólares por unidade só em royalties mecânicos.

No streaming, os autores, compositores e editoras musicais recebem 15,3% das receitas de um serviço de streaming interativo nos EUA em 2026, face a 15,25% no ano anterior, passando para 15,35% em 2027.

No Reino Unido, aplica-se uma percentagem fixa de 8,5% sobre o preço publicado para o revendedor (PPD), ou de 6,5% sobre o preço de venda ao público quando o PPD não está disponível.

Quem fica realmente com o dinheiro

Os artistas de maior dimensão raramente ficam com tudo o que as suas reproduções geram, porque as editoras discográficas recuperam primeiro os custos de marketing, deslocações e gravação. O volume de reproduções costuma compensar.

Os artistas mais pequenos que recorrem a um serviço de distribuição ficam com uma percentagem muito maior, mas sobre um volume muito inferior, pelo que o total é mais baixo. Uma boa editora independente situa-se muitas vezes a meio, repartindo frequentemente os rendimentos em partes iguais durante um determinado período, para que ambos os lados ganhem.

Atualmente, o streaming representa a grande maioria do consumo de música gravada, o que o torna a principal fonte de rendimentos para a maioria dos artistas. São pagos royalties de execução pública e mecânicos por cada reprodução com mais de 30 segundos.

A dificuldade é esta: as taxas de royalties de execução pública são negociadas em privado com organizações como a PRS, ASCAP e BMI e não são divulgadas. A componente mecânica é mais fácil de analisar, mas continua longe de ser transparente.

A documentação do próprio Spotify sobre royalties é explícita num ponto: a plataforma não paga um valor fixo por reprodução. O que um artista recebe varia consoante a forma como a sua música é ouvida e os termos do seu contrato com uma editora discográfica ou distribuidora. Aplicam-se dois tipos de royalties:

  • Royalties de gravação destinam-se aos titulares dos direitos da gravação original e chegam ao artista através de uma distribuidora ou editora discográfica.
  • Royalties de edição musical destinam-se aos autores, compositores e titulares dos direitos da composição, sendo pagos através de entidades de gestão coletiva, agências de direitos mecânicos e editoras musicais.

ESTUDO DE CASO: Quanto recebem realmente os artistas do Spotify?

Como diz o Spotify que calcula os royalties?

  • As receitas das subscrições e da publicidade são reunidas num fundo e distribuídas pelos titulares de direitos.
  • As receitas líquidas são calculadas após a dedução de custos, como impostos e taxas de processamento.
  • A quota de reproduções determina depois a proporção desse fundo que cabe a cada titular de direitos.

Os agregadores como a Ditto, que distribuem música em nome dos artistas, indicam habitualmente um pagamento médio do Spotify entre 0,003 e 0,005 dólares por reprodução.

E os royalties do Apple Music?

O Apple Music é provavelmente a grande plataforma em que é mais fácil estimar os rendimentos, porque publica há vários anos o seu pagamento médio por reprodução. Atualmente, esse valor ronda 0,01 dólares por reprodução. Tenha em conta que se trata de uma média, e não de uma taxa fixa, pois os pagamentos continuam a ser calculados com base na quota de reproduções.

Uma particularidade do Apple Music é que não faz distinção entre grandes editoras discográficas e editoras independentes nos pagamentos. Ambas recebem a mesma taxa base de 52%.

O que é uma taxa base? É a percentagem inicial que os titulares de direitos recebem antes de ajustes e deduções. Na prática, significa que 52% das receitas geradas vão para a editora discográfica.

A Apple aplica essa mesma taxa base em todas as regiões e países, garantindo um tratamento uniforme aos autores e compositores, independentemente do mercado.

O que influencia os valores pagos pelo Apple Music e pelo Spotify?

Quando plataformas como o TIDAL e o Napster pagam bastante acima da média, faz sentido perceber que fatores, segundo os dois maiores serviços, determinam os seus valores.

Reproduções interativas e não interativas

Existem duas categorias de reprodução em streaming. Numa reprodução interativa, o ouvinte escolhe o que ouve. Uma reprodução não interativa funciona mais como a rádio: está a ouvir, mas não escolhe o que passa a seguir. Tanto o Spotify como o Apple Music são interativos, e essa classificação influencia a estrutura dos seus royalties.

calculadora de royalties do Spotify vs Apple Music

Tipos de subscrição

O plano de subscrição de cada ouvinte altera o valor do seu tempo de escuta. As subscrições pagas geram mais receitas por hora do que a escuta financiada por publicidade, pelo que as reproduções com anúncios valem menos.

A dimensão e a composição da base de subscritores também contam. O Apple Music não tem qualquer plano gratuito, o que se reflete no seu pagamento médio mais elevado.

Para ter uma ideia da escala, o Spotify anunciou 761 milhões de utilizadores ativos mensais e 293 milhões de subscritores Premium pagantes no primeiro trimestre de 2026, com cerca de 483 milhões no plano gratuito financiado por publicidade. A Apple já não divulga o número de subscritores do Apple Music, mas a sua base é substancialmente inferior à base paga do Spotify e é inteiramente composta por subscritores pagantes.

Localização

A região a partir da qual um ouvinte ouve música altera o pagamento em quase todas as plataformas. Os mercados mais ricos apresentam valores efetivos mais elevados, porque o fundo de royalties de cada país é constituído pelas receitas de subscrições e publicidade desse próprio mercado.

Porque pagam o Apple Music e o Spotify royalties diferentes?

A resposta está na quota de reproduções. O fundo de royalties do Spotify é dividido por um número muito maior de reproduções, muitas delas de ouvintes de planos com publicidade, que geram menos receitas por hora. Isto faz baixar o valor efetivo por reprodução.

O Apple Music paga mais por reprodução porque o seu fundo é dividido por menos reproduções, todas de subscritores pagantes.

Pode parecer contraintuitivo, mas é assim que funciona a repartição por quota de reproduções. O Spotify calcula essa quota mensalmente, por país, dividindo o total de reproduções de um titular de direitos por todas as reproduções desse mercado e aplicando depois essa proporção ao fundo de royalties do país. Um artista que represente uma em cada mil reproduções num determinado mercado recebe um milésimo do fundo desse mercado.

Devem os artistas disponibilizar a sua música no Apple Music ou no Spotify?

Em ambos. Maximizar o alcance é quase sempre a melhor opção, aceitando que uma plataforma pagará mais por reprodução do que a outra e que nenhum destes valores é fixo.

Também convém acompanhar a evolução dos modelos. Tanto o Deezer como o Apple Music têm vindo a dar mais peso à qualidade e ao envolvimento real dos ouvintes nos pagamentos. Isso pode passar por recompensar formatos como o Áudio Espacial do Apple Music ou por adotar modelos centrados nos artistas, em que os fãs que procuram e reproduzem ativamente a sua música contam mais do que a escuta passiva de música de fundo.

Principais conclusões

Os pagamentos variam consoante a plataforma. Os artistas ganham dinheiro quando a sua música é ouvida em streaming, mas os valores diferem entre o Spotify, o Apple Music e o Deezer devido a acordos de licenciamento não divulgados, à localização dos ouvintes e à combinação de tipos de subscrição.

Existe mais do que um tipo de royalty. Os royalties de sincronização, mecânicos, de partituras e de execução pública têm formas de pagamento diferentes e dependem todos dos termos dos seus contratos individuais.

A taxa de royalties mecânicos mudou. Para cópias físicas e downloads nos EUA, a taxa legal é de 13,1 cêntimos de dólar por obra desde 2026, e não os 9,1 cêntimos que os guias mais antigos ainda referem. Os royalties mecânicos do streaming são definidos separadamente, em 15,3% das receitas do serviço.

O Spotify paga cerca de 0,003 a 0,005 dólares por reprodução; o Apple Music, cerca de 0,01 dólares. A diferença resulta da quota de reproduções, da combinação de tipos de subscrição e do facto de a Apple não ter um plano gratuito.

Lance a sua música em ambos. Mais plataformas significam mais receitas. Depois, acompanhe os modelos de pagamento centrados nos artistas e que dão mais peso à qualidade, que valorizam os ouvintes que procuram deliberadamente a sua música. Ferramentas como o Music24 ajudam a perceber que ouvintes estão realmente a guardar as suas faixas, em vez de apenas as ouvirem de passagem.

Para os ouvintes, a escolha de onde gastar o dinheiro tem cada vez mais impacto nos artistas de que gostam. Com os aumentos de preços nos serviços de streaming, incluindo a subida do plano individual do Spotify nos EUA de 11,99 para 12,99 dólares em janeiro de 2026, muitas pessoas têm mudado de plataforma. Se é o seu caso, o Free Your Music transfere a sua biblioteca com apenas alguns cliques.

As suas playlists pertencem-lhe.

Pare de reconstruir à mão. Mova tudo em minutos e leve a sua música para onde quer que vá.

Descarregar grátis →

SongsBrew — a nossa newsletter de música gratuita

Uma vantagem gratuita para os utilizadores do FYM. Dicas, playlists, sem spam.