Blog ·

Tendências da indústria musical

September 14, 2026
Tendências da indústria musical

Tendências do streaming de música: para onde caminha a indústria em 2026

As nossas previsões anteriores à prova da realidade de 2026

Das 13 tendências que previmos em janeiro de 2024, a maioria já se concretizou. A expansão das playlists com IA, a liderança contínua do Spotify, o crescimento dos podcasts em vídeo, a venda de merchandising diretamente aos fãs e os novos modelos de royalties «centrados nos artistas» tornaram-se realidade. Os vídeos curtos Clips do Spotify chegaram à plataforma, e a música gerada por IA passou de novidade a um verdadeiro problema para a indústria. A lista do que falhou é curta: o TikTok Music nunca se expandiu nos EUA e encerrou globalmente no final de 2024, enquanto a normalização de metadados DDEX continua a avançar lentamente nos bastidores, longe de estar concluída.

O que mais mudou desde então foi a escala. 2025 foi o maior ano de sempre para o streaming de música, e a pergunta mais interessante já não é «o streaming está a crescer?», mas sim «como encontrar o que importa no meio de tudo isto?». Essa é a ideia que percorre todo este artigo.

Estatísticas do streaming de música

Cerca de 4 em cada 5 ouvintes online usam atualmente um serviço de streaming de música. O número dos que pagam quase duplicou em cinco anos. Segundo a MIDiA Research, havia 921,6 milhões de subscritores pagos de música em todo o mundo no final de 2025, um aumento de 10,1% face ao ano anterior, comparado com 472 milhões em 2020. Chegar aos mil milhões de subscritores é agora uma questão de quando, não de se vai acontecer.

As receitas acompanharam esse crescimento. O Global Music Report 2026 da IFPI situou as receitas mundiais de música gravada em 31,7 mil milhões de dólares em 2025, uma subida de 6,4% e o 11.º ano consecutivo de crescimento, ultrapassando pela primeira vez os 30 mil milhões de dólares. O streaming foi responsável por quase todo esse impulso, representando 69,6% das receitas totais e gerando, por si só, mais de 22 mil milhões de dólares.

Em volume absoluto, a Luminate contabilizou 5,1 biliões de reproduções de áudio a pedido em todo o mundo em 2025, mais 9,6%. Só nos EUA, esse valor foi de 1,4 biliões de reproduções.

Entre os líderes de mercado estão Spotify, Apple Music, Amazon Music, YouTube Music, Tencent Music, TIDAL, Deezer, NetEase, SoundCloud e Qobuz. Segundo a MIDiA, o Spotify detém cerca de 31,4% dos subscritores mundiais, uma liderança que mantém há quase uma década, com cerca de 290 milhões de subscritores Premium e 751 milhões de utilizadores ativos mensais. O destaque vai para o YouTube Music, o serviço de streaming de música que mais cresce entre os grandes operadores, a caminho de ultrapassar tanto a Apple como a Tencent em 2026.

Se quiser acompanhar estas tendências semana a semana, sem esperar por um relatório anual, o SongsBrew mostra o que está realmente a mudar a nível mundial e em cada plataforma.

tendencias-do-streaming-de-musica-2026

TikTok, vídeos curtos e descoberta fora das plataformas de streaming

Uma das maiores mudanças dos últimos anos foi o poder dos vídeos curtos. O TikTok dominou a arte de apresentar música em excertos mínimos, e os resultados para os artistas têm sido enormes. Dez segundos chegam para deixar um refrão na cabeça de alguém e levá-lo a procurar a faixa completa.

Essa mesma força criou um problema: períodos de atenção cada vez mais curtos. O Spotify procurou tirar partido disso, lançando funcionalidades que destacam partes de músicas, podcasts e álbuns para tornar a exploração mais rápida. Nem todos gostaram, mas a lógica é clara, sobretudo agora que o TikTok Music encerrou e o futuro do próprio TikTok nos EUA continua incerto. Ocupar esse espaço dos conteúdos curtos é uma aposta estratégica inteligente.

A morte do álbum e o nascimento da playlist com IA

No formato físico, o álbum está de boa saúde. As vendas de vinil cresceram pelo 19.º ano consecutivo nos EUA em 2025, subindo 8,6% para 47,9 milhões de unidades, e os formatos físicos voltaram a crescer a nível mundial. Para quem ouve discos do princípio ao fim, essa tendência está cada vez mais forte.

No digital, a história é outra. As plataformas de streaming têm apostado fortemente em playlists personalizadas, selecionadas por algoritmos, por vezes em seu próprio prejuízo, e o resultado tem sido uma redução da variedade de música que as pessoas realmente ouvem. A maioria dos ouvintes está a passar de hábitos centrados no conteúdo para hábitos centrados no contexto: playlists organizadas por estados de espírito e atividades, em vez de artistas ou álbuns.

As ferramentas de IA do Spotify já criam playlists inteiras a partir de uma breve instrução de texto, e a plataforma está longe de ser a única a fazê-lo. O YouTube Music, o Apple Music e outros serviços têm versões da mesma funcionalidade. As queixas de que estas playlists personalizadas nem sempre acertam são reais, mas, para milhões de pessoas, as playlists de ambiente e concentração são exatamente o que procuram.

O grande prémio continua por conquistar: ser a primeira plataforma de streaming a criar uma playlist com IA que acerte em cheio no gosto de um ouvinte com músicas que ele nunca ouviu. Com mais de 100 milhões de faixas em cada grande plataforma, a oportunidade está precisamente na música de que iria gostar, mas que ainda não descobriu. Vemos cada vez mais utilizadores a transferir as suas bibliotecas entre plataformas só para experimentar estas funcionalidades de descoberta, e é precisamente essa dificuldade que o Free Your Music elimina.

O ruído de fundo: 253 milhões de faixas, quase todas por ouvir

Este é o número que muda a perspetiva sobre tudo. A Luminate registou cerca de 253 milhões de faixas no catálogo, e 88% tiveram 1000 reproduções ou menos durante todo o ano. Quase metade recebeu dez reproduções ou menos. Apenas 29 faixas ultrapassaram os mil milhões. Além disso, em 2025 foram entregues às plataformas de streaming, em média, 106 mil novas faixas todos os dias, mais 7% do que no ano anterior, sendo 96% provenientes de artistas independentes e de artistas que fazem tudo por conta própria.

A conclusão é direta: carregar música já não é o trabalho, é apenas o requisito de entrada. Tudo depende de ser descoberto, e o valor passou para quem consegue identificar cedo os sinais relevantes nessa avalanche. Os relatórios de fim de ano, por mais úteis que sejam, medem o que já teve sucesso. Reconhecer sinais de ascensão antes de se tornarem visíveis é outra especialidade, e foi para isso que o Music24 foi criado: identificar sinais de artistas em ascensão a partir de dados privados de playlists, 6 a 12 meses antes de aparecerem nas tabelas públicas.

Crescimento do mercado de podcasts

Quase todas as plataformas de streaming já incluem podcasts de alguma forma, embora a Apple mantenha uma aplicação Podcasts independente, em vez de a integrar no Apple Music. A Deloitte projetou que o número de ouvintes mensais de podcasts se aproxima dos 1,7 mil milhões de pessoas, o que significa que as plataformas de streaming deverão continuar a registar um aumento das receitas provenientes de podcasts.

O mercado está pronto para mais inovação publicitária, e o Spotify já trabalha nessa direção há algum tempo. Abordámos o seu trabalho na apresentação individualizada de conteúdos publicitários no artigo sobre o modelo de negócio do Spotify. O vídeo é a outra direção evidente, com os podcasts em vídeo a tornarem-se uma parte central do formato, em vez de uma experiência.

Playlists escolhidas a dedo, com curadoria humana

Em sentido contrário, a curadoria humana está mais forte do que nunca. Há quem dedique muito tempo a criar playlists que raramente dão destaque aos nomes mais conhecidos, e o que as torna relevantes é nascerem de uma verdadeira paixão pela música. Com o tempo, a curadoria tornou-se tanto um motor de visibilidade para novos artistas como uma fonte de rendimento para quem cria as listas.

Quer se aperceba disso ou não, a maioria das playlists que cria é pública. Outras pessoas podem explorar o que ouve, copiar as suas listas e adaptá-las ao próprio gosto. Tudo começa com a criação dessa primeira playlist, que muitas vezes já inclui uma ou duas faixas de novos artistas que pagaram para lá estar.

Qualidade de áudio e a divisão entre juntar e separar

O Spotify e a Apple estão a fazer apostas opostas na organização dos seus serviços. O Spotify reúne tudo: uma aplicação para música, podcasts e audiolivros. A Apple separa, com aplicações dedicadas a cada formato. O iHeartRadio está claramente do lado da integração, oferecendo um único espaço para todo o tipo de entretenimento áudio, e os fãs de audiolivros e podcasts incluídos no mesmo serviço tendem a preferir plataformas que ofereçam essa combinação.

Os audiófilos são um grupo mais exigente e tendem a escolher em função da qualidade do som, preferindo TIDAL, Qobuz, Deezer ou Apple Music. Quem adere mais tarde ao streaming escolhe cada vez mais a plataforma com base no áudio sem perdas, Dolby Atmos, Spatial Audio e FLAC de alta resolução, à procura de uma experiência de audição à altura da qualidade analógica com que cresceu. Há uma ressalva que não mudou: toda essa fidelidade não se mantém numa ligação Bluetooth convencional.

A direção é clara. O áudio de alta resolução está a deixar de ser um extra premium para passar a ser uma expectativa básica. Ainda oferece uma vantagem competitiva, mas essa vantagem diminui rapidamente à medida que mais serviços incluem áudio sem perdas nos seus planos normais.

A geração Z impulsiona o crescimento

Quem adere mais tarde está a reforçar o segmento de alta qualidade do mercado, mas é a geração Z que está a impulsionar o crescimento global. Os públicos mais jovens cresceram com o streaming, e o contacto precoce através do TikTok e do Instagram, juntamente com a expansão da cultura de curadoria, leva-os às playlists alojadas nos serviços de streaming. É fácil encontrar criadores independentes ligados à música, e esta está mais presente no dia a dia da geração Z e dos millennials do que no de qualquer geração anterior.

Não se trata apenas de ouvir. Os criadores da geração Z combinam ferramentas para fazer música com consciência política e social, ligada ao momento atual, e usam vídeos de dez segundos para acumular milhões de reproduções. Com os serviços a manterem preços de entrada acessíveis, a música, os podcasts e os audiolivros continuam bem posicionados mesmo em períodos de recessão económica.

Serviços de inclusão em playlists e de promoção de novos talentos

Não é novidade, mas está a crescer depressa. Agregadores como a CD Baby e a Ditto ajudam os artistas a chegar às grandes plataformas há anos, mas isso sempre foi apenas metade da batalha. Depois de a música estar disponível, os artistas ainda têm de investir muito na promoção e esperar conseguir um lugar numa playlist editorial.

Uma nova categoria de serviços veio preencher essa lacuna: serviços legítimos que apresentam artistas diretamente aos curadores de playlists. O interessante é quem recebe agora essas propostas. Já não são apenas os editores do Spotify e do Apple Music, mas também curadores do TikTok e blogues de música influentes, porque ambos continuam a lançar ou a travar carreiras. Enquanto a curadoria de playlists impulsionar a descoberta, este segmento da indústria continuará a expandir-se, e os dados que o sustentam — de quem são as faixas que estão a ganhar força e onde — são precisamente o tipo de sinal precoce que vale a pena acompanhar.

Música ao vivo, videojogos e concertos virtuais

A música e os videojogos continuam a aproximar-se. O Fortnite já recebeu grandes concertos virtuais de Ariana Grande, Travis Scott, Eminem e, mais recentemente, Lady Gaga, e a Luminate já trata os videojogos como um canal de marketing de peso. Quando The Daft Punk Experience estreou no Fortnite, as reproduções a pedido do duo nos EUA aumentaram quase 48% na primeira semana.

Esta ligação sempre fez sentido, e os números confirmam-no. O famoso evento de Travis Scott no Fortnite reuniu mais de 12 milhões de jogadores em simultâneo. À medida que a realidade virtual e a realidade aumentada chegam às várias plataformas, é de esperar mais atuações ao vivo e parcialmente ao vivo centradas nos maiores artistas, com aumentos de audiência em várias plataformas a tornarem-se a norma para um êxito, em vez da exceção.

DDEX e a camada de metadados

Com os conteúdos gerados pelos utilizadores e os metadados detalhados a tornarem-se centrais para a monetização, as normas DDEX estão lentamente a ganhar terreno. O protocolo Digital Data Exchange permite normalizar a forma como os metadados musicais são estruturados e partilhados. As empresas que adotam uma abordagem baseada em metadados detalhados têm comunicado aumentos de cerca de 10% na utilização das gravações associadas, e uma norma comum permitiria acabar com a fragmentação que hoje afeta os fluxos de dados. É de esperar que mais plataformas de streaming avancem para uma etiquetagem normalizada, melhorando discretamente a descoberta e colmatando as lacunas entre os dados e a reprodução.

Clips, samples e vídeos curtos

O Spotify e o YouTube Music já integraram experiências ao estilo do TikTok nas suas aplicações, permitindo aos utilizadores explorar música através de vídeos verticais curtos, criados com editores simples dentro da própria aplicação. Isto mantém as pessoas envolvidas num formato que já conhecem, com o mesmo gesto de deslizar o dedo, e responde diretamente a períodos de atenção moldados por conteúdos curtos de consumo imediato.

Música com IA

A criação de música com IA popularizou-se e depois ganhou escala industrial. As ferramentas generativas já produzem letras, batidas e vozes, alimentando uma vaga de trabalhos híbridos, enquanto se fazem ouvir críticas à perda de criatividade. Mas a escala é o verdadeiro destaque: a Deezer afirmou receber mais de 60 mil faixas inteiramente geradas por IA por dia no início de 2026 e declarou que a esmagadora maioria das reproduções de música gerada por IA era fraudulenta. É precisamente por isso que a IFPI tornou a fraude no streaming uma preocupação central.

Nem tudo é uma ameaça. Estão a surgir projetos musicais criados com IA que alcançam sucesso, como Xania Monet, que terá conseguido um adiantamento de vários milhões de dólares e se tornado a primeira artista gerada por IA a entrar numa tabela de difusão radiofónica da Billboard. Também há ideias muito interessantes, como álbuns infinitos criados por um artista em conjunto com IA, para que a música possa continuar indefinidamente, ou álbuns dinâmicos que se adaptam a cada ouvinte dentro de parâmetros definidos. A tensão entre oportunidade e perda de valor criativo é o tema central da IA este ano.

Melhor remuneração dos artistas e transparência

Há muito que os artistas contestam a remuneração e a transparência do streaming, e entre 2023 e 2025 essa pressão traduziu-se em novas regras. A Universal Music Group liderou o movimento, primeiro ao retirar o seu catálogo do TikTok devido a um conflito sobre pagamentos e, depois, ao celebrar acordos de royalties «centrados nos artistas» com plataformas de streaming, concebidos para recompensar a escuta intencional em detrimento das reproduções passivas.

Os pilares do modelo centrado nos artistas da UMG e da Deezer:

  • Qualquer artista com pelo menos 1000 ouvintes mensais provenientes de 500 utilizadores únicos recebe um aumento nos royalties.
  • Esse aumento volta a duplicar para artistas cujos ouvintes os procuraram ativamente, valorizando o envolvimento real acima da reprodução automática por algoritmos.
  • O áudio de «ruído» não associado a artistas é removido e deixa de ser monetizado.
  • Um limite por utilizador: a contribuição mensal de cada utilizador para o fundo de royalties conta, no máximo, como 1000 reproduções, para que os royalties sejam distribuídos de forma mais justa e a fraude seja desencorajada.

Os valores pagos continuam a variar muito entre plataformas, o que influencia onde os artistas querem que a sua música seja ouvida. O TIDAL está entre os que mais pagam por reprodução, com o Apple Music acima do Spotify e da Amazon, e o YouTube Music entre os que menos pagam. Os serviços que lideram em volume não são os que lideram em remuneração, e essa diferença é um dos factos económicos que mais marcam o streaming atualmente.

O que as pessoas dizem querer

A forma como as pessoas ouvem música continua a evoluir, mas os motivos pelos quais pagam mantêm-se. As três razões mais citadas para ter uma subscrição paga são o acesso a catálogos completos com mais de 100 milhões de faixas, o controlo sobre o que se ouve a qualquer momento e a ausência de publicidade.

O valor desse público está distribuído de forma desigual e reveladora. Nos EUA, quem paga por streaming representa cerca de 42% da população, mas é responsável por 76% de toda a despesa com música no país, incluindo formatos físicos, espetáculos ao vivo e merchandising. Os superfãs importam mais do que nunca: cerca de 20% dos ouvintes norte-americanos pertencem a este grupo e gastam e concretizam compras a taxas muito superiores, sendo o K-pop especialmente eficaz a transformar ouvintes em superfãs. O tempo de audição também continua a aumentar, acompanhando a importância crescente da música para o bem-estar mental e físico das pessoas.

Tendências por género musical

tendencias-do-streaming-de-musica-2026

Taylor Swift foi a artista com mais vendas a nível mundial em 2025, no seu quarto ano consecutivo no topo, com The Life of a Showgirl a liderar o consumo de álbuns e as vendas de vinil. A canção mais ouvida em streaming no mundo foi «Die with a Smile», de Lady Gaga e Bruno Mars.

A evolução dos géneros musicais é mais reveladora. Os géneros que mais cresceram em quota de streaming a pedido nos EUA foram o rock, a música cristã e gospel e a música latina. O streaming de música cristã e gospel cresceu uns expressivos 18,5%, o rock avançou 6,4%, impulsionado pela descoberta através de vídeos curtos, e a música latina continuou a subir graças ao México e ao Brasil, onde a adesão a subscrições pagas cresce mais depressa do que em qualquer outro lugar. Pode acompanhar estas mudanças à medida que acontecem no SongsBrew, sem esperar pelo balanço anual.

Integração de produtos físicos nas plataformas digitais

O Spotify e o Qobuz oferecem atualmente algumas das integrações mais completas de produtos físicos, incluindo merchandising, vinil, CDs e bilhetes para espetáculos. Os fãs podem comprar e ouvir no mesmo sítio, com a localização a ter um papel importante na venda de bilhetes. Através de dados geográficos, o Spotify apresenta concertos nas proximidades e, ao combiná-los com dados de audição, personaliza essas recomendações.

Integrar produtos físicos na aplicação facilita as compras ao longo de toda a experiência. A distância entre ouvir uma música pela primeira vez e poder comprar um bilhete, um disco ou merchandising reduz-se a quase nada, e esta integração começa também a chegar aos podcasts e aos audiolivros.

O contexto acima do conteúdo

Os algoritmos de descoberta estão cada vez mais precisos, em grande parte porque compreendem melhor como as pessoas integram a música no dia a dia: quando mudam de género e a que atividade corresponde cada mudança. As plataformas de streaming estão a avançar para recomendações contextuais centradas nas deslocações matinais, nas sessões de estudo e nos treinos, complementadas por playlists baseadas no estado de espírito.

Estas recomendações recorrem a vários conjuntos de dados:

  • Perfil demográfico e de geolocalização
  • Padrões temporais
  • Preferências de popularidade e diversidade
  • Preferências de género, ambiente, estilo e época
  • Músicas e álbuns guardados e artistas seguidos
  • Músicas e artistas mais ouvidos e preferidos

Combinados com a análise áudio da energia, da facilidade de dançar ao som de uma música, das letras e da sua carga emocional, estes dados permitem a personalização que as pessoas já esperam:

  • Pesquisa e navegação personalizadas
  • Sugestões de playlists e playlists melhoradas
  • Rádios de artistas e músicas, além de reprodução automática
  • Playlists editoriais personalizadas
  • Playlists personalizadas especiais (Time Capsule, On Repeat, Repeat Rewind)
  • Misturas por artista, década, estado de espírito e género
  • Daily Mixes
  • Discover Weekly e Release Radar

Estas playlists tendem a receber nomes que acompanham as tendências, como «músicas calmas e tristes para o fim de semana» ou «música para o café de domingo de manhã». São estes mesmos dados de comportamento e de áudio que permitem detetar potenciais sucessos antecipadamente, interpretando os padrões de audição antes de se traduzirem numa posição nas tabelas.

Principais conclusões para 2026

  • O streaming está maior do que nunca. As receitas mundiais de música gravada atingiram 31,7 mil milhões de dólares em 2025, no 11.º ano consecutivo de crescimento, com 5,1 biliões de reproduções em todo o mundo.
  • Quase mil milhões de subscritores. Há 921,6 milhões de subscritores pagos a nível mundial, mais 10,1%, com o Sul Global a impulsionar a maior parte do crescimento.
  • Líderes de mercado. O Spotify lidera com cerca de 31,4% dos subscritores, mas o YouTube Music é o que cresce mais depressa e está a aproximar-se da Apple e da Tencent.
  • O ruído de fundo é o grande desafio. Há 253 milhões de faixas, 88% com 1000 reproduções ou menos, e 106 mil novos carregamentos por dia. O decisivo é conseguir ser descoberto, não apenas distribuir música.
  • O TikTok transformou a descoberta. Os vídeos de dez segundos continuam a ter o poder de lançar carreiras, mesmo após o encerramento do serviço independente TikTok Music.
  • A alta resolução está a tornar-se a norma. O áudio sem perdas, o Dolby Atmos e o FLAC de alta resolução estão a passar de extras premium a expectativas básicas.
  • A IA é uma oportunidade e uma ameaça. Surgem projetos musicais de IA com verdadeiro sucesso, enquanto dezenas de milhares de faixas de IA por dia e o aumento da fraude no streaming obrigam as plataformas a reagir.
  • A remuneração dos artistas está a ser reformulada. Os modelos de royalties centrados nos artistas recompensam a escuta intencional, embora os pagamentos por reprodução continuem a variar muito entre plataformas.
  • Integração de produtos físicos e experiências. Merchandising, vinil, bilhetes e iniciativas em videojogos são agora fundamentais para os artistas transformarem atenção em receitas.

O panorama está a evoluir rapidamente, impulsionado pela tecnologia, pela mudança de hábitos e por novos modelos de negócio. As plataformas e os artistas que prosperarem serão os que mais se apoiarem nos dados, sobretudo nos mais precoces e capazes de antecipar o futuro. Os relatórios de fim de ano mostram quem já venceu. Ferramentas como o SongsBrew e o Music24 existem para mostrar o que vem a seguir.

As suas playlists pertencem-lhe.

Pare de reconstruir à mão. Mova tudo em minutos e leve a sua música para onde quer que vá.

Descarregar grátis →

SongsBrew — a nossa newsletter de música gratuita

Uma vantagem gratuita para os utilizadores do FYM. Dicas, playlists, sem spam.